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Livro Animado – Perspetivas e Trajetórias

Exposição

Livro Animado – perspetivas e trajetórias

Está patente na Biblioteca Municipal Alves Mateus a exposição Livro Animado – Perspetivas e Trajetórias até 25 de Maio, dedicada aos livros móveis e pop-up, inserida na Semana da Leitura Concelhia 2018.

Esta mostra tem como objetivo dar a conhecer um tipo de livros que fechados, parecem iguais aos outros…mas quanto abertos apresentam uma configuração completamente diferente. São livros que associam o prazer da leitura a um conjunto de mecanismos que os tornam “mágicos”, transformando por completo cada página, com autenticas obras de arte que saltam (pop-up) aos nossos olhos. O leitor é transportado para verdadeiros efeitos surpresa, o Wow! Effect como lhe chama, um dos seus grandes autores, Robert Sabuda. Nesta exposição, podemo-nos encantar com originais do séc. XIX, e ter acesso às últimas tendências francesas, americanas e japonesas, sem esquecer os poucos artistas portugueses que constroem livros de variadas tipologias.

A exposição foi estruturada a partir dos espólios particulares da Dr.ª Telma Coelho (conceção e organização), Dr.ª Ana Fernandes e Dr..Pedro Coelho, contando, também, com alguns exemplares da Biblioteca e da Sr.ª Vereadora Dr.ª Carla Cunha. A Biblioteca Municipal agradece a todos os que contribuíram para concretização desta iniciativa.

A inauguração teve lugar no dia 21 de abril com a presença da Sr.ª Vereador Carla Cunha e demais público que prestigiaram a exposição e a Biblioteca Municipal.

Breve Historia do Livro Pop-up

Os livros Pop-up já têm uma longa história que está intimamente ligada aos livros de literatura tradicional. Nos primórdios tiveram uma função mais didática antes de evoluírem para livros destinados a crianças, o que ocorreu por volta do século XIX.
Desconhece-se, quem primeiro adicionou elementos móveis a um livro, mas terá sido, no longínquo século XIII, que um monge beneditino inglês, Matthew Paris, e o catalão Ramón Llull, introduziram um disco giratório (volvelles) nas suas obras. Os volvelles ilustravam livros de ciências naturais, astronomia, matemática, navegação e medicina. No século XVI surgiram livros com figuras anatómicas feitas de imagens sobrepostas que podiam ser levantadas, permitindo visualizar o corpo humano em camadas, como o exemplo da obra Tabulae Anatomicae de Andeas Vasalius.
Por volta de 1677 foi publicado o livro La Confission Coupée do padre Chistophe Leutbrewer, onde surge a técnica do livro de abas (flap book), posteriormente aplicado a livros de diversas temáticas.
No século XVIII os livros móveis tornam-se moda com os autores Robert Sayer, livros cujas páginas eram cortadas em diversos sítios permitindo reconfigura-los à medida que eram manuseados e Martin Engelbrecht com os seus brinquedos “peep show”, que consistiam em cenas recortadas em papel, sobrepostas umas sobre as outras, que apareciam quando o livro era aberto.
A grande proliferação deste tipo de livro dá-se no século XIX, transformando-se, definitivamente, em livro infantil por excelência. Este século vê nascer um conjunto de autores que vão tipificar grande parte das tipologias do livro móvel e pop-up, como Lothar Meggendorf, Ernest Nister e Raphael Tuck. Estes criaram livros extraordinários onde, em cada página, surgiam ilustrações que se moviam em simultâneo e em diferentes direções, ou cenas em vários planos criando a ilusão da 3ª dimensão.
Desde finais do século XIX até a eclosão da 1ª Guerra Mundial a grande maioria dos livros foram produzidos pelos prodigiosos artistas alemães, quer por virtude do conflito, ou não, criou um hiato na conceção e produção do livro móvel e pop-up de qualidade. Termina a idade de ouro dos livros móveis, e só entre os anos 40 e 60 do século XX ressurgem autores que pela sua qualidade gráfica voltam a colocar estes livros no patamar que os caraterizou no final do século anterior, nomeadamente o arquiteto checo Vojtech Kubasta e o editor do londrino Loius Giraud.
A partir da década de 60 este “renascimento” do livro móvel deve-se, em parte, ao trabalho de empresas e editoras que nos Estados Unidos desenvolvem massivamente este tipo de livros. O trabalho de Waldo Hunt, com a fundação da empresa Graphics International, produziu centenas de livros pop-up para crianças entre as décadas de 1960 e 1990. Esta capacidade produtiva só foi possível porque os livros passaram a ser produzidos em regiões do mundo onde a mão-de-obra era mais barata (Extremo Oriente e América do Sul) permitindo que fossem rentáveis.
Nos nossos dias estes livros são reconhecidos como verdadeiras obras de arte com construções cada vez mais magníficas quer ao nível da estética quer ao nível da engenharia de construção (os seus autores são considerados engenheiros do papel). São disso exemplo autores como David Carter, já referido Robert Sabuda, Mathew Reinhart e uma nova vaga de japoneses, como Kit Lau e Yusuke Oono.

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